Regimes cambiais

Quando a taxa de câmbio nominal é predominantemente determinada pela lei da oferta e da procura de mercado, dizemos que o regime é de taxas flutuantes. Já quando o governo fixa uma paridade para o valor da moeda, dizemos que o regime é de câmbio fixo.

Se, por exemplo, aumenta o risco de um país não pagar sua dívida, os investidores estrangeiros irão se mandar. Eles portanto se desfazem dos seus ativos denominados em real e correm para ativos em dólar. Nesse processo, eles diminuem sua demanda por real e aumentam sua demanda por dólar. Em um sistema de câmbio flutuante, em que o câmbio é determinado pela oferta e demanda de moeda estrangeira, o preço do dólar (frente ao real) deveria subir, ou seja, observaríamos uma depreciação da moeda nacional.

E em um regime de câmbio fixo? Nesse caso, o governo (via Banco Central) está comprometido com uma paridade. Ele não pode deixar o câmbio variar. Para isso, ele precisa jogar dólar no mercado para segurar a cotação. Ou seja, ele vende dólar e compra real, até que a pressão para depreciação da moeda se desfaça.

Note que, em um regime de câmbio fixo, o Banco Central precisa contar com um estoque de reservas internacionais (em dólar). Nesse caso, para segurar a cotação, o Banco Central precisou se desfazer de parte de suas reservas. Porém, dependendo da pressão, pode ser que o Banco Central não possua reservas suficientes para sustentar a paridade pré-estabelecida. Daí ele será forçado a abandoná-la.

Um raciocínio análogo pode ser aplicado quando aumenta a demanda por real (vis-à-vis dólar) – por exemplo, se o país passa a ser considerado em grau de investimento por agências de classificação de risco, isso gera uma entrada de capital externo. Aqui, se o câmbio for flutuante, o preço do dólar (em relação ao real) diminuirá, isto é, haverá apreciação do real frente ao dólar. Em um regime de câmbio fixo, no entanto, o Banco Central precisará comprar dólar para evitar a flutuação, aumentando assim seu estoque de reservas internacionais.

Na prática muitos países adotam um sistema híbrido – também conhecido como flutuação suja –, em que deixam o câmbio flutuar, mas esporadicamente intervêm no mercado quando o câmbio está muito alto ou muito baixo.

No Brasil, desde 1999, o regime é flutuante, apesar do fato da intervenção do governo no mercado cambial ter aumentado bastante após 2012. Mas no passado já vivemos sob o regime de câmbio administrado, por exemplo entre 1995 e 1999. Não era exatamente câmbio fixo, mas quase isso (o dólar podia flutuar dentro de pequenas bandas, que eram ajustadas periodicamente). Quais as vantagens e desvantagens desses dois sistemas – câmbio fixo e câmbio flutuante?

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