Casamento real de Harry e Meghan: a economia também celebra?

O casamento real do príncipe Harry e Meghan Markle atraiu os olhos do mundo todo. Ainda que os custos da cerimônia fiquem por conta da família real britânica, há despesas substanciais associadas à segurança bancadas pelo governo local – e, em última instância, por quem paga imposto - veja mais aqui. Entretanto, o casamento traz potenciais benefícios ao Reino Unido e, principalmente, à cidade de Londres. Afinal, um evento dessas dimensões atrai turistas e gera demanda por uma série de produtos relacionados ao casal e à coroa britânica. Mas esse efeito não é nada claro. Se, de um lado, algumas pessoas se deslocam a Londres para acompanhar o casamento, outras podem simplesmente evitar a capital inglesa nesse período por causa da muvuca e dos preços elevados dos hotéis. Talvez posterguem a visita para outra ocasião. Ainda é cado para medir o impacto do evento. Mas, para ter uma ideia, podemos olhar para o casamento real anterior – o enlace matrimonial do príncipe William e Catherine Middleton, em abril de 2011. Desde 2002, o governo de Londres disponibiliza a cada três meses informações sobre visitantes estrangeiros. Essas informações podem ser visualizadas no gráfico abaixo. Uma rápida inspeção já revela duas coisas - acesse a base de dados clicando aqui. Primeiro, a série tem uma baita sazonalidade, isto é, um padrão que se repete todo ano: o número de visitantes tende a crescer mais no segundo e terceiro trimestres – justamente quando o clima é mais quente – e menos nos demais trimestres casamento real 01   Segundo, há uma clara tendência de crescimento na série ao longo do tempo. Ano após ano, temos cada vez mais turistas estrangeiros visitando a capital britânica. Construímos então um modelo muito simples para explicar o comportamento da série, incluindo componentes sazonais (um para cada trimestre) e uma tendência temporal para captar o crescimento. Note: o casamento de William e Kate não está no modelo. Assim, se houvesse algum efeito desse evento, deveríamos ver um descolamento forte entre modelo e dados no período em que o casamento aconteceu (no caso, o segundo trimestre de 2011). O valor observado de visitantes deveria ser muito maior do que o previsto pelo modelo naquela data. Abaixo apresentamos o mesmo gráfico de antes, mas agora incluindo também os valores previstos pelo modelo. Em azul temos os dados e em vermelho a previsão do modelo. A linha vertical tracejada marca o trimestre do casamento. Não se nota nenhum efeito anormal naquele período. Na verdade, o número de visitantes ficou um pouquinho abaixo no previsto pelo modelo. Não parece que o casamento de William e Kate tenha atraído um número excepcional de turistas para Londres. casamento real 02 Lógico, trata-se de apenas um fim de semana, e os dados captam o número de turistas em um trimestre inteiro. No entanto, se o efeito do casamento fosse muito grande, teríamos que observar um crescimento maior que o previsto pelo modelo. Não parece ser o caso: o segundo trimestre de 2011 não é muito diferente de outros segundos trimestres da amostra. Se o mesmo ocorrerá neste sábado, 19, ainda não sabemos. Mas o casamento anterior sinaliza que o efeito não será muito grande no turismo. Pode haver, todavia, efeitos de longo prazo que não são captados na análise acima. O casamento será transmitido para diversos países, apresentando atrações turísticas de Londres, como os palácios de Windsor e de Buckingham. Isso pode fazer com que pessoas decidam visitar o Reino Unido no futuro. Talvez eventos como esse ajudem a manter a tendência de crescimento do número de turistas, que observamos nos dados.   Para ficar por dentro do que rola no Por Quê?, clique aqui e assine a nossa Newsletter.
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