Deflação? É lá no Japão!

Os índices de inflação normalmente superestimam um pouquinho a inflação que chega efetivamente ao bolso do consumidor. Por quê? Porque quando sobem os preços de uma dada cesta de consumo, as pessoas substituem itens mais caros por mais baratos. Mas quem mede a inflação lá, mês a mês, tem muita dificuldade para incorporar esse efeito. Isso tudo para dizer que uma inflação de 1%, digamos, deve ser na verdade uma inflação já negativa no bolso do consumidor.

Deflações, na maioria das vezes, indicam uma enfermidade, uma anemia econômica. Nos últimos 100 anos, no mínimo, tem sido assim. E ela é mortal para economias com endividamento elevado, já que o valor real de uma dívida nominal se eleva em termos reais quando os preços caem. Para empresas, famílias e governos endividados, a deflação é um flagelo.

Mas inflação muito baixa por uns meses não constitui um quadro de deflação. Deflação é bicho que existe, sim. Mas é raro. Sobrevive serelepe nas terras do Japão.

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A inflação pode ser temporariamente muito baixa por causa de uma inflação negativa em dólares sobre o preço de algumas commodities internacionais; ou por uma supersafra interna; ou por uma apreciação cambial. Nesses casos, pode ficar negativa um mês ou dois, mas, normalmente, acaba revertendo para o território positivo.

De um modo mais geral, falar sobre qualquer tendência econômica com base no último dado mensal disponível é um erro primário, que um bom estudante de economia não cometeria. Sim, porque tem por aí gente dizendo que o Brasil entrou em deflação! Logo o Brasil que, entra e sai ano, apresenta variação média dos preços acima da meta de 4,5% de modo consistente...

O dado da inflação mensal de junho foi negativo mesmo. Isso tem gerado um debate acalorado, mas veja como a inflação mensal pula feito uma cabrita de mês em mês no gráfico abaixo. Difícil saber onde ela vai parar no próximo mês, certo?

Em economês: é um dado muito volátil para a gente sair afirmando coisas espetaculosas com base nele.
Já a inflação acumulada em 12 meses até junho está em 3%, mas deve subir até o fim do ano por causa do fim da ajudinha dos preços dos alimentos e do relaxamento em curso na política monetária.

Não temos bola de cristal, mas palpitamos: a inflação fecha esse ano de 2017 na casa dos 3,5%. Essa, aliás, é a média observada nos países emergentes ao longo da última década.

É bem diferente do Japão. Não?

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