(Editorial) Separando o joio do trigo

EDITORIAL PORQUE.COM.BR JOIO TRIGO

Como todo o país, assistimos com angústia aos desdobramentos da delação premiada do megaempresário – e criminoso – Joesley Batista à Polícia Federal. A divulgação das gravações da conversa travada entre ele e o presidente Michel Temer abalou o delicado equilíbrio das forças políticas brasileiras, exatamente no momento em que começavam a aparecer os primeiros sinais do fim da recessão iniciada em 2014. Temer é acusado de compactuar com a compra do silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha, preso pela Operação Lava Jato, e de não tomar providências ao saber do suborno de um juiz e de um procurador do Ministério Público Federal. A reunião entre presidente e empresário ocorreu à noite, no Palácio do Planalto, fora da agenda oficial da Presidência.

Temer rechaça as acusações. De fato, pelo áudio veiculado pela imprensa, não é possível afirmar que o presidente buscava calar Cunha; mais difícil é justificar sua falta de interesse pelas informações sobre o procurador Ângelo Goulart, que fornecia aos irmãos Batista informações sobre o andamento das investigações.

O assombro provocado pelas denúncias só é comparável à indignação gerada pela estratégia de Joesley Batista, que, pouco antes de revelar ao país o modus operandi que sustentou o crescimento de sua influência e fortuna, negociou sua liberdade, especulou com o dólar e hoje passeia placidamente por Nova York. Tanto as denúncias quanto o espantoso acordo que beneficiou Batista indicam que chegou o momento de o Brasil repensar seus caminhos.

Nesta hora decisiva, no entanto, devemos lembrar quanto o país sofreu, e ainda sofre, com as consequências de uma política econômica equivocada, que nos conduzia ao abismo; devemos lembrar que, após o impeachment de Dilma Rousseff uma nova equipe conseguiu encontrar o caminho certo para a recuperação do país.

Sobretudo, é preciso considerar que nos dias anteriores ao vendaval trazido pelas denúncias, tínhamos finalmente notícias boas na economia: inflação controlada e dentro da meta oficial; juros em queda; crescimento da confiança da indústria e dos consumidores. Mesmo as vagas de emprego, um dos indicadores que mais demoram a reagir numa recessão, começavam a surgir. No primeiro semestre, até o PIB parece ter crescido alguma coisa depois de tanto tempo.

Essas conquistas não foram fruto do acaso, mas do trabalho de servidores públicos competentes e dedicados a reconstruir bases sólidas para a economia brasileira. Entre eles, a secretária do Tesouro, Ana Paula Vescovi; a presidente do BNDES, Maria Silva Bastos Marques; o secretário de Acompanhamento Econômico, Mansueto Almeida; o de Assuntos Especiais da Fazenda, Marcos Mendes; e o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, todos já entrevistados pelo Por Quê?. Esperamos ouvir ainda muitos outros envolvidos nesse desafio.

O Por Quê? sempre buscou preservar sua independência. Defendemos que as leis sejam rigorosamente cumpridas e que o país retome a normalidade. No entanto, os quadros técnicos que finalmente conseguiram estabelecer uma política econômica acertada devem ser preservados da crise política. Num momento como este, em que sucessivos políticos e burocratas caem em desgraça perante a opinião pública, o Brasil não pode prescindir de pessoas competentes e comprometidas com o futuro. Reformas urgentes, como a da Previdência, não podem ser descartadas nem adiadas. Sim, estamos todos surpresos, decepcionados, indignados. Não podemos, porém, nos deixar levar pela paixão. Nosso compromisso deve ser a luta para que o país reencontre um rumo, sem perder os passos ainda modestos, mas promissores, percorridos nos últimos meses.

 
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