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							Presente. Esse é o tempo verbal que devemos usar para falar sobre a crise climática. O que parece ter sido tirado de roteiro de filme pós-apocalíptico já é realidade: temperaturas mais altas, desastres naturais mais frequentes, danos expressivos aos bens e às vidas das pessoas.

Não faltam casos para exemplificar essa afirmação. Trago aqui apenas dois pinçados de notícias recentes. Nos Estados Unidos, por estarem perdendo dinheiro devido à maior ocorrência de extremos climáticos, muitas seguradoras têm deixado de oferecer apólices para proprietários de imóveis ou abandonado mercados nos quais atuavam. Assim, fica mais caro para as pessoas continuar morando em suas casas. Já na Europa, estima-se que os efeitos das mudanças climáticas levaram à morte de mais de 16 mil pessoas em 2022 e causaram prejuízos financeiros da ordem de US$ 2 bilhões.

A crise climática não é algo que afetará apenas as próximas gerações, décadas que estão por vir ou um futuro remoto e incerto. Ela está aqui agora e a ação climática não pode mais esperar. Em um contexto que exige ação efetiva e imediata, o Brasil desempenha um papel único. Para entender isso, precisamos dar um passo atrás e explicar (de forma brevíssima) a origem da crise climática. Vamos lá.

Os gases de efeito estufa (GEE) são fundamentais para a manutenção da vida na Terra. Eles se acumulam na atmosfera e formam uma espécie de barreira contra a perda de calor que ocorre quando a superfície do planeta esfria durante a noite. O sistema funciona como uma estufa, mantendo a temperatura na Terra mais quente e, portanto, o planeta habitável. Ainda que os GEE não sejam um problema por si só, suas concentrações na atmosfera têm aumentado expressiva e rapidamente, impulsionadas por atividades humanas emissoras. Isso leva a um aumento da temperatura global média. Dados da NASA mostram não apenas que a terra está ficando mais quente, mas que isso está acontecendo cada vez mais rápido.

O aumento na temperatura global média está associado a desastres naturais, inseguranças alimentar e hídrica, incerteza econômica e conflitos violentos, só para citar alguns desdobramentos. Aqui entra a ação climática. Para romper com a tendência de aumento de temperatura e mitigar seus impactos negativos, o mundo precisa reduzir emissões – brutalmente. Isso depende fundamentalmente da “vontade” e da “capacidade” de cada país para reduzir suas emissões. Minha coluna anterior explicou a razão de a "vontade" ser um desafio gigantesco. Desta vez, focaremos na “capacidade”.

Desde a década de 1990, o Brasil é um dos dez maiores emissores de GEEs do mundo. Porém, sua composição de fontes emissoras é bastante diferente do padrão predominante. O setor de energia (que inclui transportes e geração de energia elétrica) é o principal responsável por emissões na maior parte dos outros países do ranking, mas não aqui. No Brasil, os setores de mudança no uso da terra e de agricultura responderam por aproximadamente 75% das emissões brasileiras totais no período. Ao incluir energia, o terceiro setor mais emissor no país, essa fatia pula para mais de 90%.

Enquanto boa parte do mundo enfrenta dificuldades (tecnológicas, comportamentais e políticas) para fazer uma transição energética rápida, o Brasil poderia cortar quase 40% das suas emissões anuais atuando em uma só área: combate ao desmatamento na Amazônia. Isso não é trivial, mas é possível. O país já foi, inclusive, muito bem-sucedido ao usar políticas públicas para reduzir a destruição da floresta, contribuindo para que a taxa de desmatamento na Amazônia caísse 84% em menos de uma década. Foi um período de queda acentuada e persistente também das emissões totais brasileiras.

O combate ao desmatamento na Amazônia é crucial e oferece um caminho relativamente rápido para a redução das nossas emissões, mas a ação climática brasileira não pode se restringir a isso. Enquanto protege a floresta tropical, o país precisa buscar formas de cortar emissões atuando também em outros biomas, assim como nos setores de agropecuária e de energia. Incentivar a produção sustentável via instrumentos financeiros, oferecer assistência técnica para difundir técnicas produtivas de baixo carbono, aproveitar o enorme potencial que tem para geração de energia a partir de fontes renováveis... Há muito que o país pode fazer agora.

COLUNA PUBLICADA NA FOLHA DE S.PAULO

 

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Ação climática não é papo futurista

Presente. Esse é o tempo verbal que devemos usar para falar sobre a crise climática. O que parece ter sido tirado de roteiro de filme pós-apocalíptico já é realidade: temperaturas mais altas, desastres naturais mais frequentes, danos expressivos aos bens e às vidas das pessoas.

Não faltam casos para exemplificar essa afirmação. Trago aqui apenas dois pinçados de notícias recentes. Nos Estados Unidos, por estarem perdendo dinheiro devido à maior ocorrência de extremos climáticos, muitas seguradoras têm deixado de oferecer apólices para proprietários de imóveis ou abandonado mercados nos quais atuavam. Assim, fica mais caro para as pessoas continuar morando em suas casas. Já na Europa, estima-se que os efeitos das mudanças climáticas levaram à morte de mais de 16 mil pessoas em 2022 e causaram prejuízos financeiros da ordem de US$ 2 bilhões.

A crise climática não é algo que afetará apenas as próximas gerações, décadas que estão por vir ou um futuro remoto e incerto. Ela está aqui agora e a ação climática não pode mais esperar. Em um contexto que exige ação efetiva e imediata, o Brasil desempenha um papel único. Para entender isso, precisamos dar um passo atrás e explicar (de forma brevíssima) a origem da crise climática. Vamos lá.

Os gases de efeito estufa (GEE) são fundamentais para a manutenção da vida na Terra. Eles se acumulam na atmosfera e formam uma espécie de barreira contra a perda de calor que ocorre quando a superfície do planeta esfria durante a noite. O sistema funciona como uma estufa, mantendo a temperatura na Terra mais quente e, portanto, o planeta habitável. Ainda que os GEE não sejam um problema por si só, suas concentrações na atmosfera têm aumentado expressiva e rapidamente, impulsionadas por atividades humanas emissoras. Isso leva a um aumento da temperatura global média. Dados da NASA mostram não apenas que a terra está ficando mais quente, mas que isso está acontecendo cada vez mais rápido.

O aumento na temperatura global média está associado a desastres naturais, inseguranças alimentar e hídrica, incerteza econômica e conflitos violentos, só para citar alguns desdobramentos. Aqui entra a ação climática. Para romper com a tendência de aumento de temperatura e mitigar seus impactos negativos, o mundo precisa reduzir emissões – brutalmente. Isso depende fundamentalmente da “vontade” e da “capacidade” de cada país para reduzir suas emissões. Minha coluna anterior explicou a razão de a "vontade" ser um desafio gigantesco. Desta vez, focaremos na “capacidade”.

Desde a década de 1990, o Brasil é um dos dez maiores emissores de GEEs do mundo. Porém, sua composição de fontes emissoras é bastante diferente do padrão predominante. O setor de energia (que inclui transportes e geração de energia elétrica) é o principal responsável por emissões na maior parte dos outros países do ranking, mas não aqui. No Brasil, os setores de mudança no uso da terra e de agricultura responderam por aproximadamente 75% das emissões brasileiras totais no período. Ao incluir energia, o terceiro setor mais emissor no país, essa fatia pula para mais de 90%.

Enquanto boa parte do mundo enfrenta dificuldades (tecnológicas, comportamentais e políticas) para fazer uma transição energética rápida, o Brasil poderia cortar quase 40% das suas emissões anuais atuando em uma só área: combate ao desmatamento na Amazônia. Isso não é trivial, mas é possível. O país já foi, inclusive, muito bem-sucedido ao usar políticas públicas para reduzir a destruição da floresta, contribuindo para que a taxa de desmatamento na Amazônia caísse 84% em menos de uma década. Foi um período de queda acentuada e persistente também das emissões totais brasileiras.

O combate ao desmatamento na Amazônia é crucial e oferece um caminho relativamente rápido para a redução das nossas emissões, mas a ação climática brasileira não pode se restringir a isso. Enquanto protege a floresta tropical, o país precisa buscar formas de cortar emissões atuando também em outros biomas, assim como nos setores de agropecuária e de energia. Incentivar a produção sustentável via instrumentos financeiros, oferecer assistência técnica para difundir técnicas produtivas de baixo carbono, aproveitar o enorme potencial que tem para geração de energia a partir de fontes renováveis... Há muito que o país pode fazer agora.

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