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							O Banco Central levantou uma montanha de juros ao longo dos últimos dois anos. A taxa básica de juros – a Selic – saiu de 2% ao ano em 2021 e chegou aos 13,75% em que permanece parada há alguns meses. Além de controlar a inflação, o objetivo declarado da instituição é reancorar as expectativas.

Na verdade, a principal vantagem do sistema de metas de inflação é sinalizar aos formadores de preços onde a inflação estará no futuro. Como muitos preços da economia são rígidos, isto é, mudam apenas de tempos em tempos, quem está reajustando hoje (e terá seu preço parado durante um tempo) não sabe exatamente qual será a inflação no futuro, e portanto toma decisões com base em expectativas.

Ao manter as expectativas sob controle, o Banco Central limita esses reajustes – o que ajuda a controlar a própria inflação. Mas, para que isso funcione, é crucial que a instituição tenha credibilidade. Caso contrário, a meta passa a ser ignorada por formuladores de preços.

Nos últimos anos, a inflação subiu muito no mundo todo, e tivemos dois “furos” consecutivos na meta de inflação. Criou-se, assim, um risco de desancoragem das expectativas no longo prazo: mesmo para alguns anos adiante, as medidas de expectativas começaram a se distanciar da meta de inflação. Trata-se de uma ameaça ao próprio sistema de metas. Por isso a ênfase do Banco Central em trazer as expectativas de volta.

No gráfico a seguir podemos notar o comportamento da medida de expectativas de inflação para o ano de 2023. Ela se baseia na pesquisa Focus, que reúne tomadas de opinião de agentes do mercado financeiro e consultorias econômicas sobre a inflação em diversos horizontes temporais. No caso, estamos reportando a mediana* dessas opiniões desde o início do ano até o final de junho (os dados são diários). 


Notamos inicialmente uma piora nas expectativas, com as incertezas sobre a situação de longo prazo das contas públicas. A regra que garantia alguma perspectiva de estabilidade para a dívida pública – o teto dos gastos – perdeu totalmente a credibilidade, e o governo não indicava qual regra o substituiria. Isso levou a uma deterioração nas expectativas.

O governo também ameaçou, por diversas vezes, mexer na meta de inflação, o que contribuiu para a piora.

Mais recentemente, entretanto, as coisas se acalmaram. O governo trouxe mais detalhes sobre a nova regra de controle das contas públicas (o arcabouço fiscal) que, apesar de ainda suscitar dúvidas, já reduz a incerteza sobre a inflação no longo prazo. O arcabouço vai caminhando sem muitos problemas no Congresso e deve se consolidar.

Mais recentemente, o Conselho Monetário Nacional optou por não mexer nas metas de inflação para os próximos anos, esvaziando as ameaças do próprio governo nessa direção. Tudo isso vem ajudando a reduzir as expectativas de inflação, conforme notamos no gráfico.

Outros fatores também estão ajudando: a safra muito favorável de grãos deve segurar preços de alimentos, além de incrementar exportações, o que contribui para diminuir o preço do dólar.

No gráfico, também mostramos a meta de inflação para este ano. O centro da meta é 3,25%, com 1,5 ponto percentual de tolerância. Note que as expectativas já se aproximam do limite superior do intervalo (4,75%)!

* Em uma série de dados, a mediana é o valor que fica exatamente no meio – isto é, metade das observações é menor que ela, e metade é maior.


Fonte dos dados

Banco Central do Brasil. Sistema de Expectativas de Mercado. Expectativa mediana para a inflação (% ao ano) de 2023, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Período de 02/01/2023 a 30/06/2023
 

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Expectativas de inflação se aproximando da meta | Gráfico da Semana

O Banco Central levantou uma montanha de juros ao longo dos últimos dois anos. A taxa básica de juros – a Selic – saiu de 2% ao ano em 2021 e chegou aos 13,75% em que permanece parada há alguns meses. Além de controlar a inflação, o objetivo declarado da instituição é reancorar as expectativas.

Na verdade, a principal vantagem do sistema de metas de inflação é sinalizar aos formadores de preços onde a inflação estará no futuro. Como muitos preços da economia são rígidos, isto é, mudam apenas de tempos em tempos, quem está reajustando hoje (e terá seu preço parado durante um tempo) não sabe exatamente qual será a inflação no futuro, e portanto toma decisões com base em expectativas.

Ao manter as expectativas sob controle, o Banco Central limita esses reajustes – o que ajuda a controlar a própria inflação. Mas, para que isso funcione, é crucial que a instituição tenha credibilidade. Caso contrário, a meta passa a ser ignorada por formuladores de preços.

Nos últimos anos, a inflação subiu muito no mundo todo, e tivemos dois “furos” consecutivos na meta de inflação. Criou-se, assim, um risco de desancoragem das expectativas no longo prazo: mesmo para alguns anos adiante, as medidas de expectativas começaram a se distanciar da meta de inflação. Trata-se de uma ameaça ao próprio sistema de metas. Por isso a ênfase do Banco Central em trazer as expectativas de volta.

No gráfico a seguir podemos notar o comportamento da medida de expectativas de inflação para o ano de 2023. Ela se baseia na pesquisa Focus, que reúne tomadas de opinião de agentes do mercado financeiro e consultorias econômicas sobre a inflação em diversos horizontes temporais. No caso, estamos reportando a mediana* dessas opiniões desde o início do ano até o final de junho (os dados são diários). 


Notamos inicialmente uma piora nas expectativas, com as incertezas sobre a situação de longo prazo das contas públicas. A regra que garantia alguma perspectiva de estabilidade para a dívida pública – o teto dos gastos – perdeu totalmente a credibilidade, e o governo não indicava qual regra o substituiria. Isso levou a uma deterioração nas expectativas.

O governo também ameaçou, por diversas vezes, mexer na meta de inflação, o que contribuiu para a piora.

Mais recentemente, entretanto, as coisas se acalmaram. O governo trouxe mais detalhes sobre a nova regra de controle das contas públicas (o arcabouço fiscal) que, apesar de ainda suscitar dúvidas, já reduz a incerteza sobre a inflação no longo prazo. O arcabouço vai caminhando sem muitos problemas no Congresso e deve se consolidar.

Mais recentemente, o Conselho Monetário Nacional optou por não mexer nas metas de inflação para os próximos anos, esvaziando as ameaças do próprio governo nessa direção. Tudo isso vem ajudando a reduzir as expectativas de inflação, conforme notamos no gráfico.

Outros fatores também estão ajudando: a safra muito favorável de grãos deve segurar preços de alimentos, além de incrementar exportações, o que contribui para diminuir o preço do dólar.

No gráfico, também mostramos a meta de inflação para este ano. O centro da meta é 3,25%, com 1,5 ponto percentual de tolerância. Note que as expectativas já se aproximam do limite superior do intervalo (4,75%)!

* Em uma série de dados, a mediana é o valor que fica exatamente no meio – isto é, metade das observações é menor que ela, e metade é maior.


Fonte dos dados

Banco Central do Brasil. Sistema de Expectativas de Mercado. Expectativa mediana para a inflação (% ao ano) de 2023, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Período de 02/01/2023 a 30/06/2023
 

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