O que é pior: inflação alta ou baixa?

Inflação alta é ruim, mas inflação muito baixa também pode ser. No Brasil, a meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional é de 4,5%, com um intervalo de confiança em torno desse valor central: 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.

A meta de inflação brazuca é um pouco mais alta que a de outros países de nível similar de desenvolvimento, mas não cremos que isso seja um problema. O problema, esse sim, é ser leniente com o objetivo estabelecido.

Inflação alta desorganiza tudo; a economia vira uma verdadeira casa da mãe Joana. Ninguém sabe ao certo o que vai acontecer, fica difícil saber se um produto está caro ou não em relação a outros, as pessoas gastam uma energia danada tentando descobrir o valor real das coisas e mais tempo ainda para evitar que seus rendimentos sejam devorados pela perda diária de valor da moeda que fica no bolso.

Do lado das empresas, recursos que poderiam ser empregados em áreas como pesquisa, marketing, redução de custos, etc vão para o departamento financeiro, que vira o coração da firma. Mas o financeiro é para ser um apêndice de uma empresa não financeira, não o principal departamento!

A inflação muito baixa é perigosa também, na grande maioria dos casos. Sendo mais preciso, inflação muito baixa ou negativa normalmente está associada a uma fraqueza da economia. É um sintoma de falta de pujança, na verdade. E inflação baixa anda de mãos dadas com juro nominal baixo.

O problema do juro baixo é o seguinte: numa recessão, você quer reduzir a taxa de juro, mas se ele logo chega ao zero, suas opções ficam limitadas, pois juro negativo é bicho raro (afinal, se o governo "cobra" de mim para guardar meu dinheiro, melhor talvez deixá-lo debaixo do colchão).

Enfim, uma meta ali na casa dos 3% a 4% é boa por isso: ficamos com uma inflação modesta, mas não preocupantemente baixa.

Muita gente tem alertado que a inflação no Brasil já anda perigosamente baixa: em julho houve inclusive deflação, ou seja, queda de preços. Não temos bola de cristal, mas nossa aposta é que a inflação não ficará abaixo de 3% esse ano (e se ficar um pouco abaixo, grande mal não fará). Na hora de interpretar os dados, é preciso tomar muito cuidado.

Dados econômicos mensais oscilam demais, sobem e descem pacas, são animais volúveis e voláteis. Não dá para inferir muito do futuro a partir deles. Por isso, esqueçam a deflação de um mês, pois ela pode se dever a uma supersafra de jabuticabas que não irá se repetir.

É preciso olhar o que está ocorrendo com a inflação acumulada durante um certo período de tempo –para ter uma ideia de tendência. Melhor ainda, em vez de olhar apenas para o índice de inflação que engloba todos os mais de 500 itens, se a ideia é ver para onde a coisa está indo, deve-se ficar de olho no núcleo da inflação.

O núcleo, ou coração da inflação, é aquela parte central que fica quando retiramos itens que oscilam demais –seja para cima, seja para baixo– num determinado mês. É essa a inflação que mostramos no gráfico que conclui este texto. Como se pode ver, ela andava assustadoramente alta. Mas ainda está longe de ter se tornado assustadoramente baixa.

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