Microcrédito

Como vimos, o oferecimento de garantias em empréstimos e o monitoramento por parte dos bancos podem aliviar problemas informacionais no mercado de crédito. Isso facilita a concessão de empréstimos a uma parcela dos potenciais tomadores. Mas pode deixar os clientes mais pobres fora do sistema financeiro, porque eles têm menos bens que possam servir de garantia.
Adicionalmente, o monitoramento é custoso para o banco; para valer a pena, o empréstimo tem de ser suficientemente grande – o que acaba excluindo pequenos tomadores.

Nos últimos 40 anos, tivemos mudanças bastante relevantes nesse cenário. Iniciativas de microcrédito, que dão acesso a empréstimos para clientes mais pobres, cresceram rapidamente. A experiência mais famosa é a do Banco Grameen, de Bangladesh, iniciada nos anos 1970. Hoje, o banco possui mais de 9 milhões de clientes, especializando-se na concessão de empréstimos de pequeno valor. O banco dá preferência a mulheres, de modo que cerca de 97% dos empréstimos estão no nome de pessoas do sexo feminino. O sucesso do Grameen foi tamanho que o banco e seu fundador, Muhammad Yunus, receberam o Prêmio Nobel da Paz em 2006.
Programas de microcrédito se espalharam por países em desenvolvimento. Estima-se que atendam mais de 200 milhões de pessoas. Apesar de focarem em clientes muito pobres, suas taxas de inadimplência não são elevadas.

Um dos instrumentos utilizados por diversas instituições de microcrédito são os empréstimos em grupo, que substituem em parte a exigência de garantia e monitoramento empregados pelo setor financeiro tradicional. Essa inovação possibilita que o dinheiro chegue aos clientes mais pobres e, ainda assim, assegura uma taxa de repagamento alta.

Basicamente, um grupo de pessoas da mesma comunidade recebe empréstimos individuais. Mas, se algum desses pequenos tomadores tornar-se inadimplente, todos os outros indivíduos do grupo podem sofrer sanções – por exemplo, não terem seus empréstimos renovados.
Isso cria uma pressão da própria comunidade para que os emprestadores se esforcem pelo sucesso de seus negócios – diminuindo os riscos de calote. Afinal, se um indivíduo não repagar, seus amigos e parentes podem ficar sem financiamento.

Os laços comunitários podem servir ainda como substituto para o monitoramento que a instituição financeira realiza tendo em vista aumentar a chance de repagamento. No caso, o monitoramento pode ser feito (de maneira muito mais efetiva e menos custosa) pelos próprios membros da comunidade. Eles têm interesse que os negócios prosperem – para garantir que o seu próprio financiamento não sofra interrupções por causa de um colega inadimplente.

O microcrédito, entretanto, não é uma solução milagrosa. É apenas um de vários instrumentos a serem considerados por formuladores de políticas econômicas no combate à pobreza. Pesquisas acadêmicas recentes não encontram impactos significativos sobre a renda das pessoas financiadas ou a lucratividade de seus negócios.

O microcrédito, porém, cumpre o importante papel de conectar pessoas mais pobres ao setor financeiro. Se não resolve o problema da pobreza, pelo menos possibilita que as subidas e descidas de renda não sejam tão custosas para esses indivíduos. Por exemplo, o acesso ao mercado de crédito permite poupar nos tempos de vacas gordas e reduzir a penúria nos tempos de vacas magras. Ou tomar emprestado em uma adversidade temporária, repagando a dívida quando a situação normaliza.

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