Seleção adversa e racionamento de crédito

Discutimos anteriormente o papel da taxa de juros para conciliar as decisões de emprestadores e tomadores no mercado de crédito. Muitas vezes, todavia, instituições financeiras preferem negar crédito a um contingente de clientes, a emprestar a uma taxa de juros alta. Alguns potenciais emprestadores ficam sem acesso a crédito, mesmo estando dispostos a aceitar a taxa de juros praticada por bancos. 

A teoria econômica busca entender esse fenômeno pelo conceito de seleção adversa. Especificamente, uma taxa de juros mais alta tende a atrair tomadores mais arriscados, piorando o perfil de risco da clientela do banco. 

Para simplificar a explicação, suponha que há dois clientes (X e Y), com diferentes projetos de investimento. O cliente X toma um empréstimo de 10 mil reais no banco; seu negócio dá um retorno certo de 10%. Ou seja, se o banco cobrar até 10% de juros, vale a pena para o indivíduo investir.

Mas o cliente Y tem um investimento mais arriscado; com 50% de chance seu projeto vai mal, e o retorno é de -5%; mas com 50% de probabilidade, o projeto tem sucesso e o retorno é de 15%. Note que o retorno médio de Y é o mesmo que o de X: 50% x (-5%) + 50% x 15% = 10%. A diferença é que o projeto de Y é mais arriscado.

O problema é que Y pode não repagar o banco caso seu projeto não dê certo. O banco torna-se seu sócio, porém apenas no fracasso. Assim, a taxa de juros só importa no cenário em que o empreendimento tem sucesso. Se os juros fossem menores que 15% (retorno em caso de sucesso), valeria a pena para Y investir.

O banco, por outro lado, não sabe direito qual o perfil de risco de cada um de seus potenciais clientes. Na hora de emprestar, ele não consegue distinguir se a pessoa é X ou Y. Mas ele sabe que, se cobrar uma taxa de juros entre 10% e 15%, ele espanta os clientes com perfil de X – os menos arriscados. Sobram só os mais arriscados.

Por esse motivo, na presença de seleção adversa, instituições financeiras podem preferir não aumentar a taxa de juros e emprestar menos – ou seja, racionar crédito. Dessa forma, evitam que o perfil de sua clientela fique muito arriscado. Teremos alguns clientes que estariam dispostos a tomar emprestado à taxa de juros vigente, mas que terão crédito negado por conta dessa assimetria informacional.

Esse problema é mitigado na presença de garantias para o empréstimo. Isso porque o custo do fracasso aumenta para o tomador mais arriscado, que tem maiores chances de perder o bem oferecido como garantia.

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